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Brasil

De olho em fundo eleitoral, vices mulheres batem recordes nas Eleições 2018

O valor representa R$ 510 milhões. Outro fator que corrobora com a tese é a quantidade de mulheres que encabeçam as chapas, que permanece baixa

O número de mulheres concorrendo como vice-candidatas nas eleições de outubro aumentou de forma exponencial. São quatro candidatas a vice-presidência e 67 a vice-governadoras no país inteiro, o que equivale a 40% do total. Em comparação, as vices eram apenas 27% nos estados em 2014. Especialistas levantam dúvidas sobre se a escolha estaria atrelada ao desejo de atrair mais votos femininos ou de atrair mais verba de campanha, visto que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou que 30% do fundo eleitoral deveria ser usado em campanhas femininas, mas não deixou critérios muito bem definidos.

TENENTE CORONEL CARLA BASSON COMANDANTE DO 49 BPMI

O valor representa R$ 510 milhões. Outro fator que corrobora com a tese é a quantidade de mulheres que encabeçam as chapas, que permanece baixa. Apenas Marina Silva (Rede) e Vera Lúcia (PSTU) disputam a presidência da República. No estado de São Paulo, entre os 12 nomes que concorrem ao cargo de governador, apenas o PSOL lançou uma mulher como cabeça de chapa: a professora Lisete Arelaro. Já entre as vices, elas são sete, incluindo a ex-comandante do 11º Batalhão da Polícia Militar em Jundiaí, Carla Basson, que concorre na chapa de Paulo Skaf (MDB).

O professor de Direito Eleitoral Alberto Rollo explica que os gastos de campanha do candidato e seu vice são conjuntos e, portanto, se o partido decidir investir os 30% de verba obrigatoriamente feminina na campanha da vice, está automaticamente gastando com a campanha do cabeça de chapa. “É um defeito da lei, pois a ideia é incentivar a participação das mulheres”, afirma. “É necessário avaliar como vai ser usado o fundo eleitoral este ano e ver se a lei precisará ficar mais rigorosa”.

Proporcionais
Ele diz, porém, que se os partidos estão sendo oportunistas ao usar a verba destinada às vices para privilegiar os cabeças de chapa, sua maior preocupação é com as eleições proporcionais. “É mais fácil fiscalizar o gasto de campanhas majoritárias porque é só um por partido”, justifica. Nas proporcionais, ele explica, pode ser que um partido faça uma ‘dobradinha’ entre um candidato homem e uma candidata laranja, apenas para usar a verba obrigatória da campanha dela para impulsionar o homem. “E candidatos a deputados são milhares, é muito pulverizado e a fiscalização é mais difícil”, afirma.

Copo meio cheio
Para a cientista política e professora da PUC-SP, Vera Chaia, mesmo que seja oportunismo, a manobra irá aumentar o número de representantes mulheres na política. “Eu acho positivo, pois essa é uma demanda na sociedade e uma tentativa de conquistar o voto feminino, que são as que mais declararam intenções de votar nulo, branco ou se abster”, analisa.

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A oficial da Polícia Militar e candidata a vice-governadora, Carla Basson, concorda. “A mulher já está tomando o lugar dela na política e isso invariavelmente acaba aumentando o debate sobre as políticas públicas para mulheres”, opina. Ela diz que Skaf já dá abertura para a discussão desse tipo de pauta. “Discuto com ele todos os tipos de bandeira. Segurança, porque é a área que exerci, mas também saúde, educação… e a força da mulher está implícita nisso tudo”, afirma.

Copo meio vazio
A cientista política questiona, porém, se a participação feminina será efetiva. “Elas estão sendo escolhidas como vice, e o próprio Michel Temer (MDB) reclamava de ser meramente decorativo quando era vice de Dilma Roussef (PT). Será que essas mulheres terão atuação?”, indaga. Vera também lembra que um maior número de mulheres na política não significa uma maior discussão sobre direitos das mulheres. “Nem toda mulher quer defender interesses femininos”.

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